“Não foi fácil mudar depois de 10 anos investindo na concretização de um sonho meu: reconstruir a Física com os meus alunos, revelando como as ‘coisas’ surgiram, porque surgiram e até onde elas são verdades ou invenções do pensar humano. Sem dúvida, é um projeto que arrancou suspiros de mim e das centenas de alunos que passaram por ele. Porém, ele sempre entrou em choque com o 3º ano, visto que a abordagem diferencia muito da que é usualmente adotada. Assim, passei 10 anos da minha vida, curtindo muito as minhas próprias aulas com os alunos de 1º e 2º anos e tendo certa angústia no final do 2º ano quando tinha que deixá-los, sabendo que eles enfrentariam uma Física diferente daquela disciplina mágica, cheia de curiosidades, onda cada aula poderia revelar uma nova forma de ver o mundo; uma Física que transformava a nossa alma e abria os nossos olhos para uma visão crítica sobre o conhecimento humano.
Mas aí, vieram vocês no ano passado, ano em que fiz 40 anos. Quando eu tinha 18 anos, quarentão era sinônimo de velho gagá. Por mais que eu tente manter um físico saudável, essa idade pesa nos ombros. Foi aí que me dei conta de que há algum tempo passei a olhar meus alunos de uma forma diferente daquela que eu olhava quando tinha 25 anos. Eu não era mais um irmão mais velho, eu era um pai. Ver a minha filha crescida como vocês também ajudou a alimentar essa visão paterna. Mas, foram algumas características específicas de vocês que colaboraram muito para isso. Muitos de vocês são carinhosos e ternos como verdadeiros filhos. Outros são metreiros, escondendo-se atrás dos colegas à frente para conversar ou mexer no celular, como verdadeiros filhos fazem quando estão aprontando alguma coisa errada. Outros são responsáveis, levando muito a sério todos os meus conselhos e orientações. É claro que existem os típicos “aborrecentes” que querem desafiar a ordem. Mas, mesmos estes, sempre me trataram com muito respeito, como verdadeiros filhos crescidos. Portanto, é assim que me sinto perante vocês: um pai.
Acho que por isso passei a cobrar os exercícios de casa, como minha mãe fazia quando eu era pequeno, há 30 anos. Neste caso, tive que fazer alguns ajustes. Criei um site específico e comprei um celular só para atendê-los, pois assim poderia ficar mais próximo de vocês, como um verdadeiro pai. Eu também passei a aceitar minhas limitações físicas. Será que vocês nunca notaram que eu peço para lerem os dados das questões? Não é preguiça de olhar o enunciado, é que não consigo ver, como um bom velhinho, número pequenos - Principalmente aqueles expoentes! - Eu estou mudando, como tudo. Mas nenhuma dessas foi a maior mudança que fiz por causa de vocês.
Você acha que eu gostaria de ser lembrado como um carrasco que deu aulas abomináveis de algebrismo, como retratou bem uma charge criada no 2ºA? Nem pensar! Prefiro ser o professor inesquecível que viajava com os alunos em aulas críticas a respeito da história do conhecimento. Entretanto, a realidade é que vocês deixariam de ser meus alunos no 2º ano da mesma forma que um filho partiria para morar sozinho. Tenho que pensar no melhor preparo de vocês para o que irão enfrentar. Se existia alguma dificuldade de adaptação dos meus alunos ao curso do 3º ano, eu tinha que fazer alguma coisa. Foi por isso que mudei o curso. Essa foi uma das decisões mais difíceis da minha vida profissional, pois foram 10 anos de investimento. É claro que o novo curso tem o melhor em relação à Física do curso anterior, mas ele é mais duro para que vocês não tenham qualquer dificuldade no 3º ano.
Juro por DEUS que hoje, última semana de aula, posso dormir tranquilo com a certeza de que a minha missão foi cumprida: as aulas de Física do próximo ano terão o gosto de sorvete de flocos com calda de chocolate. Além disso, eu tenho certeza de que vocês se sentem honrados por esses dois anos de trabalho intenso chegando antes do início das aulas e saindo depois do final delas (“Essa nem a Quântica responde!”) para que vocês tivessem a melhor formação possível. Sei que vão valorizar os fins de semana que passei elaborando as novas listas e os novos módulos. Não importa o quanto eu briguei ou o quanto eu forcei a barra para que vocês continuassem prestanto atenção na aula. Tudo que fiz, foi por vocês. Se eu errei em algum momento, peço que me perdoem. Eu errei tentando acertar. Mas, finalmente, por que faço tudo isso? Acho que vocês já sabem a resposta. Mas, essa, eu faço questão de responder: eu sempre acreditei e sempre vou acreditar em vocês, pois vocês são e sempre serão meus queridos e eternos filhos.”

Lúcio Vega

Não foi fácil mudar depois de 10 anos investindo na concretização de um sonho meu: reconstruir a Física com os meus alunos, revelando como as ‘coisas’ surgiram, porque surgiram e até onde elas são verdades ou invenções do pensar humano. Sem dúvida, é um projeto que arrancou suspiros de mim e das centenas de alunos que passaram por ele. Porém, ele sempre entrou em choque com o 3º ano, visto que a abordagem diferencia muito da que é usualmente adotada. Assim, passei 10 anos da minha vida, curtindo muito as minhas próprias aulas com os alunos de 1º e 2º anos e tendo certa angústia no final do 2º ano quando tinha que deixá-los, sabendo que eles enfrentariam uma Física diferente daquela disciplina mágica, cheia de curiosidades, onda cada aula poderia revelar uma nova forma de ver o mundo; uma Física que transformava a nossa alma e abria os nossos olhos para uma visão crítica sobre o conhecimento humano.

Mas aí, vieram vocês no ano passado, ano em que fiz 40 anos. Quando eu tinha 18 anos, quarentão era sinônimo de velho gagá. Por mais que eu tente manter um físico saudável, essa idade pesa nos ombros. Foi aí que me dei conta de que há algum tempo passei a olhar meus alunos de uma forma diferente daquela que eu olhava quando tinha 25 anos. Eu não era mais um irmão mais velho, eu era um pai. Ver a minha filha crescida como vocês também ajudou a alimentar essa visão paterna. Mas, foram algumas características específicas de vocês que colaboraram muito para isso. Muitos de vocês são carinhosos e ternos como verdadeiros filhos. Outros são metreiros, escondendo-se atrás dos colegas à frente para conversar ou mexer no celular, como verdadeiros filhos fazem quando estão aprontando alguma coisa errada. Outros são responsáveis, levando muito a sério todos os meus conselhos e orientações. É claro que existem os típicos “aborrecentes” que querem desafiar a ordem. Mas, mesmos estes, sempre me trataram com muito respeito, como verdadeiros filhos crescidos. Portanto, é assim que me sinto perante vocês: um pai.

Acho que por isso passei a cobrar os exercícios de casa, como minha mãe fazia quando eu era pequeno, há 30 anos. Neste caso, tive que fazer alguns ajustes. Criei um site específico e comprei um celular só para atendê-los, pois assim poderia ficar mais próximo de vocês, como um verdadeiro pai. Eu também passei a aceitar minhas limitações físicas. Será que vocês nunca notaram que eu peço para lerem os dados das questões? Não é preguiça de olhar o enunciado, é que não consigo ver, como um bom velhinho, número pequenos - Principalmente aqueles expoentes! - Eu estou mudando, como tudo. Mas nenhuma dessas foi a maior mudança que fiz por causa de vocês.

Você acha que eu gostaria de ser lembrado como um carrasco que deu aulas abomináveis de algebrismo, como retratou bem uma charge criada no 2ºA? Nem pensar! Prefiro ser o professor inesquecível que viajava com os alunos em aulas críticas a respeito da história do conhecimento. Entretanto, a realidade é que vocês deixariam de ser meus alunos no 2º ano da mesma forma que um filho partiria para morar sozinho. Tenho que pensar no melhor preparo de vocês para o que irão enfrentar. Se existia alguma dificuldade de adaptação dos meus alunos ao curso do 3º ano, eu tinha que fazer alguma coisa. Foi por isso que mudei o curso. Essa foi uma das decisões mais difíceis da minha vida profissional, pois foram 10 anos de investimento. É claro que o novo curso tem o melhor em relação à Física do curso anterior, mas ele é mais duro para que vocês não tenham qualquer dificuldade no 3º ano.

Juro por DEUS que hoje, última semana de aula, posso dormir tranquilo com a certeza de que a minha missão foi cumprida: as aulas de Física do próximo ano terão o gosto de sorvete de flocos com calda de chocolate. Além disso, eu tenho certeza de que vocês se sentem honrados por esses dois anos de trabalho intenso chegando antes do início das aulas e saindo depois do final delas (“Essa nem a Quântica responde!”) para que vocês tivessem a melhor formação possível. Sei que vão valorizar os fins de semana que passei elaborando as novas listas e os novos módulos. Não importa o quanto eu briguei ou o quanto eu forcei a barra para que vocês continuassem prestanto atenção na aula. Tudo que fiz, foi por vocês. Se eu errei em algum momento, peço que me perdoem. Eu errei tentando acertar. Mas, finalmente, por que faço tudo isso? Acho que vocês já sabem a resposta. Mas, essa, eu faço questão de responder: eu sempre acreditei e sempre vou acreditar em vocês, pois vocês são e sempre serão meus queridos e eternos filhos.”

Lúcio Vega

Igual ao ovo e a galinha, me diga lá… Quem nasceu primeiro foi a flor ou a mulher?

Novos Baianos
3 years ago 1 ♥

"Explicai a vossos filhos o que está sendo feito agora. É sobretudo para eles que se ergue está cidade síntese, prenúncio de uma revolução fecunda em prosperidade."
Juscelino Kubitschek
 

"Explicai a vossos filhos o que está sendo feito agora. É sobretudo para eles que se ergue está cidade síntese, prenúncio de uma revolução fecunda em prosperidade."

Juscelino Kubitschek

 

Não há instruções exatas para a localização do paraíso. Não há instruções para a localização do paraíso.

(via dindondan)

3 years ago 2435 ♥
You´re the one that I want.

You´re the one that I want.

3 years ago 1 ♥

Eu quero a sorte de um chofer de caminhão.

Los Hermanos
Tommy can you hear me? Can you feel me near you? Tommy can you seel me? Can I help to cheer you?

Tommy can you hear me? Can you feel me near you? Tommy can you seel me? Can I help to cheer you?

3 years ago 1 ♥

Cadê as notas que estavam aqui? Não preciso delas, basta deixar tudo soando bem aos ouvidos.

Chico Science
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